Abram Suas Mentes, As Músicas SUMIRAM!

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Caros amigos, a um bom tempo venho me questionando e refletindo sobre o grande motivo responsável pelas musicas serem esquecidas tão rapidamente pelas pessoas.

Provavelmente não existe somente UM motivo especifico, mas quero expor meu pensamento sobre uma razão que acredito ser predominante para levar isto a acontecer.

Hoje em dia a qualidade das musicas todos sabem que não é aquelas coisas… ainda mais no mundo pop, onde a volubilidade deste publico os leva a se cansar facilmente das canções.

E para satisfazer estas almas sedentas de coisas novas e fúteis, é preciso produzir cada vez mais letras, melodias e harmonias fáceis para conseguirem absorver e digerir mais rapidamente.

Será que a qualidade das musicas é o grande motivo? Pode ser, até porque o que é criado para durar pouco…. dura pouco mesmo! Antigamente (periodo clássico por exemplo) não se escrevia musicas para tocar em rádios mas sim para Deus! Existia um MOTIVO MAIOR com certeza e isso se reflete com a sua perduração por séculos.

Mas veja por outro lado.

Nos tempos atuais, existem musicas boas, mas elas TAMBÉM são esquecidas rapidamente, mais lentamente que as de baixo teor de qualidade, mas são abduzidas do mercado muito rápido.

Observe o meu raciocínio:

Suponhamos que você goste muito de pudim de leite e fosse obrigado a comer 5 fatias de pudim de leite em 60 minutos, depois mais tarde mais 5 fatias de pudim de leite, e mais tarde mais 5… O que aconteceria neste caso?

Você enjoaria do pudim, com certeza.

O pudim é algo muito forte, enjoa fácil mesmo. Então, em vez do pudim poderíamos substituí-lo por pastel, lasanha ou qualquer outra coisa do gênero.

De qualquer forma o resultado seria o mesmo, só que em mais ou menos tempo. É fato que, quanto mais absorvemos uma mesma coisa, com o mesmo sabor, mesma intensidade, mesmo volume, o enjôo é fatal.

Agora, voltando ao assunto das musicas, sem brincadeira, já cheguei a ouvir a mesma musica tocando seis vezes no mesmo programa de rádio, dentro de uma hora! E ao mudar para mais três estações diferentes, a mesma musica tocou em todas, num prazo de cinco minutos… Dois meses depois esta musica já não tocava mais em lugar nenhum!

Nunca se repetiu tantas vezes as musicas nas programações das rádios quanto ultimamente. E quem é o causador de tudo isso? É o famoso “jabá”.

Não estou aqui pra levantar a bandeira contra nem a favor do jabá, a questão aqui não é essa. O ponto chave é que, o jabá geralmente é patrocinado por grandes selos e gravadoras e estas tendem a forçar as rádios e TVs a tocar DEMASIADAMENTE suas “musicas POP-TOP da parada”.

No começo é tudo legal, a musica nova toca na radio, o cara a conhece. Ai o cara compra o CD (interesse da gravadora) ou baixa a musica na internet (já não é tanto interesse assim… ¬¬) e toca no carro, toca na festinha, toca na TV e toca no celular ate que… surge uma outra musica nova e como aquela outra já tocou tanto que ele nem agüenta mais ouvir ela, ai ele vai e automaticamente já compra o CD da musica nova, e toca no carro, etc, etc, etc…

Da até pra ‘imaginar’ que isso pode ser uma estratégia das gravadoras para “vender o seu peixe”, no caso usando o fato do ouvinte já ter cansado de ouvir uma musica e ter que consumir outra no lugar, criam este CIRCULO VICIOSO somente para faturar, já que o ser humano não vive sem musica. E este circulo vicioso com certeza faz vender muitos CD’s e DVD’s.

Mas, dessa forma, quem acaba sendo prejudicado? Pra variar, o artista.

Se o artista não tiver uma excelente base, um ótimo suporte e plano de carreira, a própria gravadora pode condená-lo ao esquecimento com essa atitude, justamente pelo fato de que tocar demais a sua musica em vez de ser benéfico pode ser muito prejudicial.

Sou a favor do conceito de que o artista não tem que se preocupar TANTO em alcançar o sucesso desejado, mas sim planejar como fazer para SE MANTER no mesmo patamar. Isso é MUITO mais complicado.

Pense nisso – tocar demais uma musica pode ser prejudicial, principalmente se for o primeiro sucesso de um artista.

O legal seria se as musicas fossem tocadas em uma quantidade que fizesse as pessoas esperarem ANSIOSAS a fim de pararem e ter o prazer de ouvi-las,  como era cerca de 10 a 20 anos atrás e não para desligar o radio ou mudar de estação (uma musica não era tocada mais que duas vezes durante toda a programação do dia).

Quero deixar esta reflexão para os nossos artistas, rádios e gravadoras, porque já passou da hora de mudar de atitude, e se não haver mudanças provavelmente uma hora vai chegar que mesmo com toda a criatividade humana, não vai ter mais musicas legais para se ouvir, a demanda vai ser extremamente maior que a oferta… e todo mundo vai sair perdendo.

 

Deixe seu comentário, coloque seus insigths, concorde, discorde. Colabore para mudar o cenário musical atual, para o bem de todos, músicos e consumidores de música.

Cristhian Play é produtor musical, músico profissional  e professor de diversos instrumentos musicais (guitarra, violão, contrabaixo, cavaquinho e percussão)

 

* Este artigo pode ser publicado desde que citado o link da fonte original

2 Responses

  1. Ana says:

    É verdade. Doutro prisma, são poucos artistas na mídia por vez. Perceba-se que as rádios tocam no máximo 4 artistas diferentes das mesmas músicas que tocam o dia todo, todo dia. Não se dá oportunidades para outros aristas. Seu texto falou tudo.

  2. Edes says:

    Olá, Cristhian

    Você, eu e infelizmente mais meia dúzia, lamentam a situação musical do nosso país e talvez no mundo.

    Porém, é de (educação) que estamos falando.

    Na música ou na indústria automotiva ou na escolha do bicho de estimação; os conceitos nas escolhas são os mesmos; status, auto-afirmação, e um monte de besteira.

    Então, diante desse quadro lastimável de sociedade na qual impera o ´´Fanki“ e o consumo desenfreado do que tiver mais propaganda no momento, chego a conclusão de que a diferença é somente a educação fundamentada no amor.

    Aquele pessoal bacana da década de 80, que fez tanta coisa boa e influenciou pessoas como eu, tiveram que provar da repressão e da opressão dos ´´pais e mestres“, para ter discernimento ao realizar suas obras.

    E claro que não era só guerra. Haviam AMIGOS, haviam professores que estudaram para ser professores de verdade, e todo mundo vivia mais com o pé no chão, ninguém pensava em ficar milionário em um mês pela internet.

    Ironicamente, hoje se tem mil motivos a mais para a realização de bons trabalhos, né; escolas, demanda de instrumentos, meios para gravação, etc., ferramentas sobrando.

    Daí por que se toca a mesma porcaria nas rádios de cinco em cinco minutos??

    Por que as pessoas que poderiam fazer a diferença não tem a educação fundamentada no bom caráter, na ética e bom senso.
    Sei que pareço um velho de 1960 falando assim, mas é verdade.

    Minha banda acabou porque as pessoas que a compunham, não souberam separar o amor a música (caso existisse), das ilusões sugeridas pelo caos atual.

    Posso ser um velho de trinta anos, mas pelo menos tive o privilégio de conhecer músicas de verdade.

    Edes Oliveira

    ex-integrante da banda Irrupção. Mas músico até morrer!!

    viva a PLEBE RUDE!!!

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